sexta-feira, 11 de abril de 2008

Saudades do meu Pai



Olá amigos,

Nem fotos eu tenho do meu pai para incluir neste post. São nessas horas é que sinto o quanto deixei de aproveitar a vida ao lado dele, nem mesmo fotos eu tenho de recordação? Para falar que não tenho, carrego na carteira a mensagem com uma fotinho mencionando a data de nascimento e também de falecimento dele.

É uma saudade que não tem explicação. Meu pai faleceu em Novembro de 2007, com alta do hospital psiquiátrico que estava internado. Foi tomar banho, acompanhado de um enfermeiro no quarto e teve uma parada cardio-respiratória.

Não consigo acreditar e sinto muita dor cada vez que recordo esta perda. Na cabeça ficam as cenas de um passado que não volta mais, do carinho e amor que o Santanão velho de guerra sentia dos filhos deles( eu e meu irmão Rafael).

É nítido na minha memória uma frases que ele dizia: " Fia, não me abandona. O pai te ama". Ou então, quando estava próximo do seu aniversário, ele ligava e falava: " Você e o Fio vão vir aqui ver o pai ?".

Fiquei pouco ao lado do meu pai, eu não era uma filha presente. Ligava pouco em sua casa, fazia visitas rápidas de 15 minutos, 30 minutos. Digo isso, porque essa lição eu aprendi! Jamais cometerei o mesmo erro. É fácil ajudar outras pessoas, ser prestativo, solidário, mas quando se trata de família deveria ser muito mais, deveria vir em primeiro lugar.

Quando meu pai faleceu, minha mãe estava internada curando-se de uma infecção hospitalar. Ou seja, corri atrás de tudo sozinha, com a ajuda do meu noivo, que foi um companheiro admirável e incansável.

Não sai ao lado dele em nenhum momento no velório. E pedi a todos que me respeitasse, porque eu deixei de estar ao lado do meu pai a vida inteira. Então, naquele momento eu queria estar lá, firme e forte.

Cuidei de todo o velório, isso era o mínimo que eu podia fazer. Meu pai teve uma morte digna, claro que isso não foi o suficiente para amenizar a minha dor, mas pude me sentir menos culpada diante daquilo tudo.

Ver uma pessoa da sua família jogada num necrotério é a pior cena, porém foi o momento de mais intimidade que tive com o meu pai. Pude abraçá-lo e chorei, chorei como uma criança por aquela perda. Me senti uma pessoa fraca e egoísta naquele momento.

Se eu pudesse voltar no tempo teria almoçado mais vezes em sua casa e passado pelo menos 1 natal e 1 ano novo com ele, coisa que nunca aconteceu. Pelo contrário, nos últimos anos a saudação de " Feliz ano novo", " Feliz Natal" eram feitas por telefone e sempre com uma única desculpa: " Tenho trabalhado muito pai. Assim que eu tiver um tempo prometo ir até você".

Deixo claro que depois da perda eu percebi:

- O meu tempo era total. Eu não tinha grandes compromissos;

- A distância era de apenas 40 minutos, o que parecia uma eternidade de longe;

- Que os delírios do meu pai eram verdadeiros, ele realmente estava ruim e perto da morte;

- Que nada é mais importante do que a família. E os pequenos momentos se deixados para trás, não voltam nunca mais!

- E que eu amo meu pai e que gostaria de ter dito mais vezes isso a ele

Beijão / Paula

15 comentários:

Kelvin disse...

Muito emocionante o seu relato. Acho que me identifiquei nele, pois eu e meu pai também somos meio que distantes e... Enfim, gostei mesmo. Você seleciona muito bem as palavras que vai usar, trazendo realidade e sentimento para os leitores.
Bom, descobri seu blog hoje e vou acessar sempre que possível, parabéns!

Ah, também tenho um blog, caso se interesse: http://blacklittletrash.blogspot.com/

Um abraço e até mais!

Versy disse...

Nossa , Muito emocionante!!!!!
Eu também sempre fui muito afastada do meu pai. E perdi ele em 2004.
Já a minha mãe, foi a paixão da minha vida. Foi ela que segurou a onda quando meu pai saiu de casa há exatos 20 anos atrás. Que cuidou da gente, que nos viu crescer e acompanhou todas as nossas vitórias.
Em 2002, ela descobriu que tinha câncer de pulmão. Nosso mundo caiu. Mas ela não se abateu. Fez quimio, fez cirurgia...E isso tudo, sem reclamar, dizendo a todos que estava bem...Tanto era, que ela só faltava o trabalho no dia que fazia quimio, pois vomitava e se sentia muito mal...nos outros dias ela trabalhava como se nada tivesse acontecido. E assim ela seguiu na luta...me viu casar, viu meu irmão se formar, começar a trabalhar, me viu passando num concurso público( meu sonho), me viu grávida, conheçeu a netinha amada. E o ano passado piorou. A GUERREIRA sentiu que cumpriu seu papel...Ficamos 23 dias internados no hospital, com ela, sem arredar o pé...Era eu de dia e meu irmão a noite...Minha filha estava apenas com 9 meses... mas graças a Deus, meu esposo segurou a barra, firme. E no dia que nós conseguimos nos despedir dela (em 13/06/2007), pararmos de ser egoísta, de ver tanto sofrimento, e querer que ela permanecesse com a gente...ela se foi...Mas deixou suas ações aqui na terra: sua família, seus amigos, as pessoas que ela ajudou.
Minha mãe foi meu amor...hoje ela é anjo, que nos protege e nos fortalece...É alguém que para SEMPRE vamos AMAR.

Beijos, Versy

Anônimo disse...

Ana, é bom desabafar, ajuda a compensar a dor. Mas não lamente o tempo perdido, afinal, o que passou, já era, não há como percorrer novamente. Seu pai está em paz, está com Deus, e muito orgulhoso dos filhos, tenha a certeza. Ele se foi para deixar de sofrer uma vida difícil e sem saúde. Pense nisso. Richard Bach dizia sabiamente: "Não fique triste nas despedidas. Elas são necessárias para a alegria do reencontro. E reencontrar-se é certo para os que se amam - seja depois de anos ou de vidas." O Santanão velho de guerra não vai querer te ver sofrer. Deixe a tristeza pra lá e trate de ser feliz, ok?
Beijocas!!!
DAISE

Kelvin disse...

Olá (de novo, rsrs), Ana!
Obrigado pela visita ao meu blog e pleo comentário também!
Bom, você perguntou se eu não estou em Sampa... Não, não estou... De uma maneira resumida eu nasci lá, mas (graças ao emprego da minha mãe e do meu padrasto) eles são transferidos constantemente para outras cidades. Daí, acabou que nós fomos para Itumbiara-GO, mas no fim do ano passado pedi minha mãe para estudar em Goiânia, já que ela não me deixaria voltar para Sampa porquê é muito longe dela. E estou aqui! No 1º ano do Ensino Médio, e se meus planos derem certo, volto pra Sampa para prestar vestibular.
Quanto ao meu pai, segui o seu conselho, e aproveitei para ligá-lo no aniversário dele. Queria poder te dar boas notícias, mas ele não atendeu. Talvez tenha sido até propositalmente, já que liguei várias vezes todos os dias até ontem e não obtive resposta. Anyway, eu fiz a minha parte...
Mais uma vez, obrigado pelo comentário e espero que tenha gostado do meu blog! Passe lá de vez em quando!
Um abraço!

P.S.: Desculpe a demora em responder, mas é que meu tempo está muito apertado. Tenho aula de manhã e à tarde, e à noite é o único horário que sobra, mas essas últimas semanas ainda estudava à noite por causa das provas. Inclusive, o post de 10 de abril foi um amigo meu quem postou, só entreguei a letra e a minha senha pra ele, coitado, rsrs...

Anônimo disse...

Olá, linda mensagem.
Sinto muitas saudades dos meus avós. Realmente é dificil quantificar o tamanho desta saudade.
Lembro de cada segundo em que estive com eles. De pescar no Rio Uruguai, de colher goiaba, milho verde... das estórias contadas à beira do fogão a lenha, sob a luz de lampião...
Bons tempos... o melhor período de minha vida

Etiene Oliveira disse...

Boa tarde Ana.
Passei aqui no seu blog por acaso e agora lágrimas correm dos meus olhos.Sabe,essa sua experiência com o falecimento do seu pai me tocou muito. Também perdi o meu, mas já se passaram cinco anos. Parece que foi ontem Ana, pois uma saudade imensa permanece.
Também falo do meu pai no meu blog. Sou muito grata a ele.
Quero te dizer uma coisa:Quem nos dera se fôssemos perfeitos!Infelizmente somos falhos e vamos sempre nos sentir devedores do que nos amavam e se foram...
Beijos...

Jéssica Vidal disse...

Passei aqui por acaso, procurava uma foto para colocar em um poema no meu blog que também fala da dor que sinto pela falta do meu pai que se foi a pouco tempo, e o que um amigo me disse eu te falo, nunca deixe de lutar e se puder esteja sempre no topo, la de cima será mais facil falar com ele ! Beijos

Elke disse...

Perdi meu pai dia 24 de maio...
lendo sua mensagem consegui me ver...
Ainda não acredito que perdi meu pai...eh como se essa semana eu não tivesse ido ve-lo.
Ainda choro muito...

Bjos Elke

Anônimo disse...

eu sei como eh dificil estar longe do nosso pai apesar de nao ter perdido meu pai vivo muito longe dele e sinto muita falta dele

Anônimo disse...

Caros leitores!!!!
Eu.....sempre fui muito presente na vida de meu pai e tbm da minha mãe. Passei todos os Natais e passagens de ano com os dois. TODOS...TODOS...hj estou com 56 anos de idade. Viajamos juntos....íamos ao estádio de futebol juntos (Morumbi, pq antartica, Pacaembú ver o timão jogar...palavras dele) Somos em seis irmaos. Mas só eu curti meu paizinho querido.Meus irmaos....nunca tinham tempo. (rs) Em todos os momentos de minha vida. Ele faleceu em 30.06.2010 assim...de repente....Cuidei dele eu mesma. Com a ajuda de minha mãe tadinha, com 80 anos. Não saímos de perto dele um momento sequer. Só nao faleceu em casa pq Deus quis poupar minha mãe. Internamos no domingo, na quarta faleceu. Aos 84 anos de idade e com 60 anos de casados. Tenho muitas saudades do meu PAIZINHO QUERIDO. Fico pensando na tristeza dessas pessoas que nao curtiram ou nao curtem seus pais. PORQUE POR MAIS QUE FIZ, AINDA ACHO QUE PODERIA TER FEITO MUITO MAIS. ABENÇAO PAIZINHO....DORME COM DEUS!!!!!

lucelia merlin disse...

Bom Dia a todos.

Eu tambem perdi meu PAI amadoooo no dia 08/02/2010, ele tinha cancer de pulmão, foi muito triste a sua morte, eu sempre falava que não queria estar perto a hora que isso acontecesse.
Estavamos em mais de 10 pessoas cuidando dele no hospital, filhos, subrinhos, irmãs e amigos, então todos foram para casa jantar e alguns voltariam mais tarde, ficamos eu e meu primo Marcio o qual era adorado por meu paizinho, derrepende olhei para ele e estava morrendo ali pertinho de min, e eu nada poderia fazer Deus que dor mais triste, não fazia ideia que teria tanta coragem.
Hoje já irá fazer um ano que ele se foi e tem dias que acordo em lagrimas de tanta saudades, um pai amigo companheiro, alegre, feliz, um exemplo de homen para todos que o conheciam.
A minha vida realmente perdeu o brilho.

meu querido pai disse...

nossa e muito emocionante mesmo chorei muito lendo tb perdi meu pai fas 2 anos sinto muitas saudades

Anônimo disse...

querida mim meocionei muito com essa historia pois tbm perdir meu pai em 2007 e apesar de morar com elle era tbm distante............

queria entrar em contato com se tiver orkut ou msn mim add ai ....

ORKUT http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=12811590107435700399

MSN kellynhatjs@hotmail.com

Anônimo disse...

olá Ana,perdi meu pai quando tinha oito anos é uma dor tão grande q não cabe no meu peito ele estava com cancer no pulmão pois fumava e bebia demais.Todos os dias lembro dele,da saudade de sempre sair e brincar. De chegar em casa e poder contar do meu dia para ele. Sei q ele esta em um otimo lugar isso me conforta um pouco pois o q eu queria mesmo era ele aqui do meu lado

Anônimo disse...

Meu Deus quantas historias triste!! Pois eu tb so faz apenas nove meses q o meu heroi se foi,não ha solidão q se compare a essa,foi muito triste quase ele faleceu na minha frente mas ainda foi levado p uti,eu passei muito mal é triste lembrar de toda cena!!! É muita saudades do meu cabecinha branca!!! Deus te abençoi e nos conforte